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Pessoas de sete países fundaram o Coritiba

19/11/2025 - 07:11
Luiz Carlos Betenheuser Júnior

Pessoas de sete países fundaram o Coritiba Foot Ball Club: conheça um pouco mais sobre a história da fundação do time Coxa.

Quanto à fundação do Coritiba Foot Ball Club, em 12/10/1909, entre os cento e cinquenta e um fundadores, a grande maioria de brasileiros (natos ou naturalizados), de inúmeras descendências.

Entre os fundadores, além de pessoas nascidas no Brasil, havia pessoas que nasceram na Alemanha, Argentina, Áustria, Itália, bem como pessoas nascidas na Rússia e também na Suécia.

Quantos foram os fundadores do time Coxa-Branca?

Aqui, uma curiosidade: apesar de haver divulgação de cento e cinquenta nomes entre os fundadores do Cori, o número correto é o de cento e cinquenta e um.

Isso porque um dos nomes usualmente citados é João C. Rocha (como aparece na placa de bronze, em homenagem aos fundadores do Coritiba). Entretanto, houve dois sócios com nomes muito similares: João Cristiano Rocha e João Cardoso Rocha.

Ambos, coincidentemente, deixaram o Clube no mesmo dia, conforme os registros do primeiro livro de atas do Coritiba, identificados por integrantes da Comissão de Preservação da Memória e da História do Coritiba Foot Ball Club.

Os nomes de João Christiano Rocha e João Cardoso Rocha aparecem na Ata datada de 26/11/1910

Entre os fundadores, pessoas nascidas em outros países que não o Brasil

Entretanto, no grupo de fundadores, havia trinta pessoas que nasceram fora do Brasil, entre eles, alemães, argentinos, austríacos e italianos, russos e suecos. Tal levantamento foi realizado pelo historiador Alan Roger Galvão, que faz parte do grupo de pesquisa sobre a história do Alviverde, os Helênicos.

Pessoas de sete países fundaram o Coritiba

As pesquisas já realizadas por grupos de pesquisa sobre a História do Coritiba – como Os Coritibanos e os Helênicos – indicam que o Coritiba desde 1909 era um clube aberto, feito por todas as pessoas, uma coletividade com um objetivo comum, independentemente de idade, classe social, etnia, bem como se eram desportivas que praticavam ou não o futebol.

Além disso, as pesquisas indicam que aquelas pessoas que fundaram o Clube, no geral, não faziam parte da elite política e econômica da cidade, formada principalmente por brasileiros e luso-brasileiros.

Pessoas de sete países fundaram o Coritiba

Na documentação relacionada ao período de fundação do Coritiba Foot Ball Club, a equipe de historiadores do Clube identificou 151 pessoas entre os fundadores do Coxa.

Além desses nomes, outros 19 nomes aparecem listados, seja no primeiro Livro de Atas, seja no primeiro Livro Caixa do Alviverde. São pessoas cujos registros indicam ou o pagamento de joias e/ou mensalidades, ou cujos nomes foram indicados como novos associados.

Lista manuscrita encontrada no Acervo Histórico do Clube com nomes de centenas de fundadores

Mais sobre os fundadores coritibanos

Da mesma forma, na documentação histórica do Verdão existem informações que indicam os critérios para identificação dos sócios fundadores do Clube do Alto da Glória. Inicialmente, aqueles que assinaram a Ata de Fundação até a dezembro de 1910.

Placa em homenagem aos fundadores Coritiba

Esta situação traz à tona a hipótese de que os fundadores do Cori tinham como objetivo, também, uma ampliação da possibilidade de participação de mais pessoas na vida do Clube. Nesse sentido, além daqueles percursores, os jogadores e demais pessoas que viajaram até Ponta Grossa, em 1909, para enfrentar o time local em 24/10/1909, também quem se associou ao Coxa durante todo 1910.

A Ata de fundação do Coritiba expressa os critérios para serem sócios fundadores

Diante disso tudo, é possível acreditar na hipótese que aquelas pessoas que fizeram a reunião em 12/10/1909 para depois fundar o Coxa, dias depois, pensaram sobre critérios para considerar fundadores do Coritiba mais pessoas além daqueles precursores de 1909.

A Ata da reunião de 30/08/1910 estabelecia a categoria sócios fundadores do Coritiba
Joias e mensalidades dos fundadores do Coritiba em junho de 1910 (Livro Caixa nº 01 do Coritiba)

Na ata de fundação do Coritiba,  “Ficou estabelecido até o dia 31 de dezembro de 1910, uma joia de 5$000 e mensalidade de 1$000, sendo todos os propostos deste tempo considerados sócios fundadores”. Esta passagem histórica também está destacada no livro “A Vida do Coritiba Foot Ball Club e o Desporto Paranaense”, de Francisco Genaro Cardoso. Trata-se de um livro, de 1944, que não chegou a ser editada e publicada pelo Departamento de Publicidade o Clube.

Algumas listas de fundadores do Verdão divulgadas pela imprensa especializada

É interessante perceber que, ao longo dos anos, algumas listas sobre os fundadores do Coritiba Foot Ball Club chegaram a ser divulgadas pela imprensa especializada (há pequenas divergências entre elas).

Lista dos fundadores do Coritiba (Correio de Notícias, Ano 1933\Edição 00487, 29/12/1933)
Lista dos fundadores do Coritiba (Correio de Noticias, Ano 1979\Edição 00731, 14 e 15/10/1979)

Sobre os fundadores do Clube Verde e Branco de Curitiba, há poucos registros guardados no Acervo do Clube. Entre tais registros, duas matérias jornalísticas, sendo uma de 1933 e outra de 1979.

Além delas, uma edição da revista Paraná Em Páginas. Aquela publicação era de responsabilidade do jornalista Cândido Gomes Chagas, o Candinho, um importante e atuante conselheiro do Coxa, falecido em 2012.

Fundadores do Coritiba citados na revista Paraná em Páginas (edição especial dos 94 anos do Coritiba)
Nomes e sobrenomes lusitanos entre os fundadores (autoria não identificada)

Entre dúvidas e polêmicas

Alguns pontos e períodos da história do Alviverde, dúvidas e polêmicas surgem. Entre elas, o fato de 19 pessoas terem registros documentais que causam curiosidade. Portanto, a partir de 1911, o Clube não considerava os novos membros como sócios fundadores

Na Ata de 12/06/1911 estão listados os primeiros sócios que entraram no Coritiba naquele ano: Fritz Rummert, Alfredo Müller, Edgar Torres e Orestes Codega; por sua vez, na Ata da reunião de 24/10/1911, Adolpho Traub (quem viria a se tornar cunhado de Fritz Essenfelder) teve sua proposta de associação aceita. Traub chegou a jogar pelo Cori como goleiro.

Assim, o jornal A Republica (Ano 1912, Edição 00156, de 06/07/1912) registrou e evidenciou a partida entre Coritiba x Internacional

Entretanto, na Ata da reunião de 14/11/1910, há o registro das propostas aprovadas de Egydio Berlazzoni, Joaquim Tramujas, Francisco de Macedo Simonge, Humberto Carnasciali, Alfredo Schawab e Roberto Berner. Por sua vez, o Livro Caixa nº 1 tem um lançamento em 23/09/1911 da joia de Egydio Bertazzoni.

Egydio Bertassoni participou das provas de corrida de bicicleta [denominada “Italia”] que antecederam o jogo do Coritiba contra o Pontagrossense, em 12/06/1910 (Diario da Tarde, Ano 1910\Edição 03522, 10/06/1910). Este é um ponto curioso justamente porque trata-se da primeira partida do Coxa em terras curitibanas.

Panfleto de divulgação do jogo do Coritiba em 12/06/1910 com o sócio Wilson como “Referee” [árbitro]

Os participantes das provas desportivas de ciclismo, bem como da partida de futebol, eram sócios do Verdão. Então, por que Bertassoni teria participado de um evento possivelmente destinado a divulgar o quadro associativo do Coritiba perante a sociedade curitibana se ele não fosse sócio do Clube?

Quem é o sócio Wilson, que teria sido um dos fundadores do time Coxa-Branca?

Da mesma maneira, outra grande dúvida histórica é sobre quem é o Wilson, árbitro da primeira partida do Coxa realizada na capital paranaense. O árbitro Wilson, cujo sobrenome não consta em nenhuma publicação jornalística relacionada àquele jogo de 1910, por sua vez consta em ata de reunião coritibana, listado como sendo um sócio do Clube.

Lista de fundadores do Coxa com nomes anotados à caneta

A aparição de Wilson ocorre tanto no Livro de Atas nº 1 do Alviverde, bem como em uma lista manuscrita com nomes de pessoas associadas ao Cori. Além disso tudo, seu nome aparece em um panfleto com informações e anotações à caneta sobre aquela partida (no caso, com o símbolo do ponto de interrogação em vez do sobrenome).

É interessante esta passagem na história do Coxa por se tratar de um grande evento na cidade de Curitiba. Logo, os sócios do Clube possivelmente teriam prioridades na participação. No caso dele, como sendo a figura central da arbitragem daquela partida.

Diretoria do Alviverde propôs o tombamento do Acervo do Coritiba

Em 21/08/2025, a diretoria do time Coxa-Branca formalizou o pedido de tombamento do Acervo do Clube, de forma a dar melhores condições de guarda, tanto quanto ampliar o acesso público aos itens. O pedido foi realizado por meio do Processo Administrativo Eletrônico nº 01-212074/2025. Este pedido será analisado e deliberado junto ao Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Curitiba (CMPC).

Em Curitiba, existe uma legislação local específica para o tombamento de itens de relevância histórica para o Município. Esse é um tema regulamentado pelo Decreto nº 360, de 29/03/2019. A referida legislação conceitua o que é o Tombamento: “ato administrativo que declara a singularidade e excepcionalidade de um bem considerado individualmente ou em conjunto, seja móvel ou imóvel, público ou privado, pertencente à pessoa física ou jurídica”.

Além disso, essa ação está relacionada “em razão do seu valor cultural, histórico, paisagístico, científico, artístico, turístico, arquitetônico ou ambiental, com instituição de um regime jurídico especial de propriedade como forma a garantir sua preservação e conservação”.

As pesquisas continuam e mais pessoas podem doar cópias digitais de seus acervos para o Coritiba

As pesquisas sobre a história do Coxa seguem com os trabalhos da Comissão de Preservação da Memória e da História do Coritiba Foot Ball Club. Primordialmente, quando o assunto são os fundadores do Verdão, a pesquisa é realizada conjuntamente com o grupo de historiadores Helênicos, estudiosos da história coritibana.

Da mesma forma, atividades vêm sendo realizadas pelo grupo de pesquisa e extensão a partir do núcleo de ciências jurídicas. Entretanto, este grupo recebe alunos de outras áreas da UFPR.

Por se tratar de uma pesquisa de grande amplitude e dificuldades no acesso de fontes primárias, atualizações dos bancos de dados são sempre bem-vindas e recomendadas, de forma aprimorar a metodologia de trabalhos.

Logo, é importante destacar que eventuais imprecisões podem ocorrer, sendo um problema da pesquisa. Por isso mesmo é tão importante que se disponibilizem novas fontes documentais.

Portanto, familiares dos fundadores do Coritiba Foot Ball Club que tenham interesse em doar cópias digitais de itens relacionados aos fundadores podem entrar em contato com a direção do Clube clicando aqui.

Verdão tem uma parceria técnica com a UFPR para melhor cuidar da história do Clube

Em uma parceria entre o Coritiba e a UFPR, o acervo histórico do Verdão também é cuidado por acadêmicos de graduação, bem como de pós-graduação. Nesse sentido, são pessoas com interesse em pesquisar mais a história do Clube e sua relação direta com a cidade de Curitiba.

O grupo de pesquisa e extensão foi formado a partir do núcleo do Setor de Ciências Jurídicas da Universidade Federal do Paraná. O grupo conta com alunas e alunos também de outras áreas da UFPR, como da História, Ciências Sociais e Educação Física. A equipe iniciou os trabalhos acadêmicos no acervo histórico do Coxa em 02/07/2025.

O professor Luís Fernando Lopes Pereira é o líder do grupo de pesquisa. Ele conta com a colaboração de outro docente da Universidade, o professor de Sociologia na Faculdade de Direito, Rodrigo Horochowski, que também acompanha as atividades de pesquisa científica do grupo. Entre os achados do grupo, borderôs e relatórios financeiros de todos os jogos do Coritiba no Torneio do Povo.

*** CFC ***

As principais responsabilidades da diretoria do Coritiba Foot Ball Club, como Associação, estão vinculadas à fiscalização do contrato de compra e venda da SAF. Nesse sentido, são obrigações diretivas:

– Principalmente, acompanhar o cumprimento do pagamento das dívidas, em especial das parcelas da recuperação judicial da Associação;

– Da mesma forma, o cumprimento dos aportes financeiros anuais na gestão do Clube (futebol e atividades de apoio);

– Além disso, a gestão patrimonial. Inclusive quanto a manutenção e investimentos no CT Bayard Osna, no novo CT, tanto quanto no Estádio Major Antônio Couto Pereira;

– Bem como, os cuidados com a preservação histórica.

***

Se você encontrou algum erro nesta matéria, por favor, entre em contato. Além disso, o Coritiba Foot Ball Club preza pelos créditos merecidos, então nos avise sobre eles.

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