Torneio do Povo: o primeiro título nacional dos paranaenses. Confira a seguir mais sobre esta competição vencida pelo Coritiba Foot Ball Club, em 1973.
Qual foi o impacto do Torneio do Povo? Esta é uma pergunta que algumas pessoas das gerações mais novas, que não vivenciaram o futebol dos anos 70 por vezes fazem.
Esta postagem do blog do Coritiba Foot Ball Club apresenta informações e opiniões a respeito.
O que foi o Torneio do Povo?
Primeiramente, é importante esclarecer que o Torneio do Povo foi uma competição de futebol de âmbito, organizada por importantes clubes brasileiros, em conjunto com Federações estaduais. Ela ocorreu entre os anos de 1971 e 1973, com a presença dos times que tinham as maiores torcidas em seus estados.
Foram três campeões do Torneio do Povo: o Coritiba Foot Ball Club, em 1973, o Corinthians e também o Flamengo.

A competição ocorreu durante o início dos anos 70, justamente o período onde aconteceram as três primeiras versões do Campeonato Brasileiro.
Em 1973, além do campeão Coritiba, participaram Atlético Mineiro, Bahia, Corinthians, Internacional e Flamengo. Logo, seis times de seis estados diferentes, de três regiões brasileiras. Hélio Pires, do Coxa, foi um dos artilheiros daquela edição.
Por sua vez, na primeira edição, a competição contou com a participação de Flamengo, Corinthians, Atlético Mineiro, bem como do Internacional. Na segunda edição, o Bahia foi convidado e na terceira edição, em 1973, foi a vez do Coritiba se juntar ao seleto grupo dos participantes.
O Torneio do Povo de 1973 na mídia nacional
O destaque da mídia para as disputas do Torneio do Povo, especialmente no eixo Rio – São Paulo foi grande. Por exemplo, a Folha de São Paulo publicou a foto do campeão de 1971 em sua capa. A comunicação à época era feita prioritariamente pelos jornais, que tinham forte apelo popular e abordavam os temas de impacto social , como o Torneio do Povo.
Nesse sentido, grandes jornais do Rio de Janeiro e de São Paulo faziam a cobertura dos jogos de todos os times da competição, não apenas as equipes locais. Fotos e entrevistas foram frequentes durante as coberturas dos jornais.
Relacionadas à edição de 1973 do Torneio do Povo, na Hemeroteca Nacional há dezenas de publicações jornalísticas encontradas . Ao final, treze delas serviram de base à matéria.











A polêmica da competição: era ou não um torneio oficial?
Um aprofundamento nas publicações jornalísticas da época é esclarecedor. A competição era oficial, pois foi organizada por associações desportivas vinculadas a diversas federações estaduais de futebol. E as Federações eram ligadas diretamente à Confederação Brasileira de Desportos (CBD), algo como a CBF da época.

Se por um lado, a competição não foi organizada pela CBD e sim por clubes e federações a ela filiadas, por outro o então presidente, João Havelange, não tenha reconhecido o Torneio, por outro lado representantes da própria CBF entendiam se tratar de organização oficial, como o assessor jurídico da CBD, Valed Perry, que defendia ter sido o Torneio do Povo uma competição oficial pela aprovação do regulamento por ele e mesmo pela inclusão dos jogos na loteria esportiva.


Uma hipótese sobre a polêmica
O vice-presidente do Verdão tem uma hipótese para Havelange, apesar de ter dito à imprensa que iria oficializar a competição, não o fez: “Uma hipótese que me surge é a de que a competição ocorria durante os primeiros anos do Campeonato Brasileiro. De certa forma, uma ‘concorrência’ à principal competição nacional. Sim, apesar de ser só uma hipótese, me parece razoável pensar que o modelo de gestão do futebol brasileiro, na época, pretendia valorizar o máximo possível um calendário nacional mais amplo”.
Nesse sentido, explica o dirigente do Cori que “as datas do Torneio do Povo se tornariam ‘concorrentes’, já que existiam jogos durante o ano nos campeonatos estaduais e era muito comum jogos amistosos internacionais pelo Brasil. Mais do que isto, as viagens dos times brasileiros em excursões internacionais, além de datas para Seleção Brasileira e jogos da Taça Libertadores da América”, aponta. A edição de 1973 daquela competição internacional contou com o campeão e o vice-campeão brasileiros do ano anterior. Algo que também ocorreria na edição anterior, de 1972, que contou com a presença de dois times brasileiros, o campeão e o vice do ano de 1971.
Qual foi o impacto do Torneio do Povo? Um vice-presidente do Coritiba responde
Com o passar das décadas, novas gerações passaram a vivenciar o futebol. Desse modo, o grande impacto da conquista coritibana passou a ser questionado, seja por pessoas mais jovens da Torcida do próprio Verdão, que não vivenciaram os anos 70, seja por adversários.
“Primeiramente, é preciso deixar claro que a diretoria do Coritiba tem foco na preservação histórica do Clube. Justamente por isso mesmo, buscamos contar a história da forma mais contextualizada possível, sempre”, reforça o vice-presidente do Alviverde do Alto da Glória.
Continuando, o dirigente aponta: “Penso que a avaliação quanto ao impacto histórico da conquista do Coritiba no Torneio do Povo passa por um cuidado, o de se evitar o anacronismo. Comparar momentos diferentes, sem levar em consideração os contextos e os momentos sociais de cada época não me parecem adequados”, diz Luiz Carlos Betenheuser Júnior, vice-presidente do Alviverde.
“Não se trata de debater a importância, até porque, para mim, um coritibano de coração, a importância é gigantesca. Já um torcedor do arquirrival, por exemplo, tem outra dimensão de importância, até porque o time dele sequer participou da competição. Trata-se do impacto da competição e do título no cenário nacional naquela época”, explica o vice-presidente.
Por isso mesmo, o vice-presidente do Verdão aponta que “Para uma avaliação adequada, entendo ser necessário procurar conhecer melhor o momento do futebol brasileiro em 1973. Na época, o Brasil dominava o futebol mundial. Pelé jogava por aqui ainda”, destacando o quanto era muito competitivo o futebol nas terras brasileiras. “Existia uma infinidade de craques, jogadores de altíssima qualidade técnica. Era um futebol muito competitivo devido ao alto nível dos jogadores brasileiros”, explica o dirigente do Cori.
Torneio do Povo: o primeiro título nacional dos paranaenses
Na opinião do dirigente do Cori, “as manifestações desrespeitosas de adversários, que desdenham o Torneio do Povo pode ser fruto de má-informação, ou, quem sabe, até mesmo de má vontade”, justificando: “Não será a tentativa de diminuir a conquista do outro time que fará o próprio time crescer. Esta não é sinal de rivalidade inteligente”, comenta Betenheuser Jr.

O vice-presidente Coxa finaliza com um comparativo: “O Torneio do Povo foi o primeiro título nacional dos paranaenses. É um fato. Não é porque uma pessoa não viveu nos períodos das grandes navegações, com caravelas cruzando os oceanos para interligar os continentes que não há impacto histórico nisso. Se hoje, foguetes espaciais são relevantes, principalmente nos séculos XV e XVI as caravelas tiveram enorme relevância. Por isto, cuidar com os anacronismos me parece necessário na análise da História. Afinal, é o que ensina o grande historiador Marc Bloch, em suas críticas ao anacronismo”.
Fontes:
A Cidade (SC), Ano 1973\Edição 13295, 14/01/1973
A Luta Democrática (RJ), Ano 1973\Edição 05857, 31/01/1973
Correio da Manhã (RJ), Ano 1973\Edição 24506, 27/02/1973
Correio do Povo (SC), Ano 1973\Edição 02729, 31/03/1973
Diario de Noticias (RJ), Ano 1973\Edição 15446, 01/03/1973; Diario de Noticias (RJ), Ano 1973\Edição 15455, 14/03/1973
Diário da Manhã (PE), Ano 1973\Edição 0302, 02/03/1973
Cidade de Santos (SP), Ano 1973\Edição 01993, 22/03/1973
Diario da Tarde (PR) – 1899 a 1983, Ano 1973\Edição 21892, 20/03/1973; Diario da Tarde (PR) – 1899 a 1983, Ano 1973\Edição 21894, 22/03/1973
O Estado de Florianópolis (SC), Ano 1973\Edição 17160, 23/03/1973
O Estado de Mato Grosso (MT), Ano 1973\Edição 06474, 08/02/1973
Tribuna da Imprensa (RJ), Ano 1973\Edição 06936, 24/02/1973
As pesquisas continuam e mais pessoas podem doar cópias digitais de seus acervos para o Coritiba
As pesquisas sobre a história do Coxa seguem com os trabalhos da Comissão de Preservação da Memória e da História do Coritiba Foot Ball Club. Primordialmente, quando o assunto são os fundadores do Verdão, a pesquisa é realizada conjuntamente com o grupo de historiadores Helênicos, estudiosos da história coritibana.
Da mesma forma, atividades vêm sendo realizadas pelo grupo de pesquisa e extensão a partir do núcleo de ciências jurídicas. Entretanto, este grupo recebe alunos de outras áreas da UFPR.
Por se tratar de uma pesquisa de grande amplitude e dificuldades no acesso de fontes primárias, atualizações dos bancos de dados são sempre bem-vindas e recomendadas, de forma aprimorar a metodologia de trabalhos. Logo, é importante destacar que eventuais imprecisões podem ocorrer, sendo um problema da pesquisa. Por isso mesmo é tão importante que se disponibilizem novas fontes documentais.
Portanto, familiares dos fundadores do Coritiba Foot Ball Club que tenham interesse em doar cópias digitais de itens relacionados aos fundadores podem entrar em contato com a direção do Clube clicando aqui.
Verdão tem uma parceria técnica com a UFPR para melhor cuidar da história do Clube
Em uma parceria entre o Coritiba e a UFPR, o acervo histórico do Verdão também é cuidado por acadêmicos de graduação, bem como de pós-graduação. Nesse sentido, são pessoas com interesse em pesquisar mais a história do Clube e sua relação direta com a cidade de Curitiba.
O grupo de pesquisa e extensão foi formado a partir do núcleo do Setor de Ciências Jurídicas da Universidade Federal do Paraná. O grupo conta com alunas e alunos também de outras áreas da UFPR, como da História, Ciências Sociais e Educação Física. A equipe iniciou os trabalhos acadêmicos no acervo histórico do Coxa em 02/07/2025.
O professor Luís Fernando Lopes Pereira é o líder do grupo de pesquisa. Ele conta com a colaboração de outro docente da Universidade, o professor de Sociologia na Faculdade de Direito, Rodrigo Horochowski, que também acompanha as atividades de pesquisa científica do grupo. Entre os achados do grupo, borderôs e relatórios financeiros de todos os jogos do Coritiba no Torneio do Povo.
*** CFC ***
As principais responsabilidades da diretoria do Coritiba Foot Ball Club, como Associação, estão vinculadas à fiscalização do contrato de compra e venda da SAF. Nesse sentido, são obrigações diretivas:
– Principalmente, acompanhar o cumprimento do pagamento das dívidas, em especial das parcelas da recuperação judicial da Associação;
– Da mesma forma, o cumprimento dos aportes financeiros anuais na gestão do Clube (futebol e atividades de apoio);
– Além disso, a gestão patrimonial. Inclusive quanto a manutenção e investimentos no CT Bayard Osna, no novo CT, tanto quanto no Estádio Major Antônio Couto Pereira;
– Bem como, os cuidados com a preservação histórica.
***
Se você encontrou algum erro nesta matéria, por favor, entre em contato. Além disso, o Coritiba Foot Ball Club preza pelos créditos merecidos, então nos avise sobre eles.