Saiba mais sobre os fundadores do Coritiba: confira informações sobre as pessoas que fundaram o Clube do Alto da Glória e entraram para a história.
Com base na documentação já encontrada no Acervo Histórico do Clube, é possível identificar características de um Coritiba Foot Ball Club, em 1909, com iniciativas de integração social e expansão institucional, de forma a estimular a participação de mais pessoas do que pouco mais de duas dezenas de pessoas (dois times de futebol). Da mesma forma, uma instituição envolta em um cenário de complexidade, com interrelações e interdependências.
Sócios-fundadores: o que diz a ata de fundação do Coritiba?
Na ata de fundação do Coritiba “Ficou estabelecido até o dia 31 de dezembro de 1910, uma joia de 5$000 e mensalidade de 1$000, sendo todos os propostos deste tempo considerados sócios fundadores”. Tal trecho consta no livro “A Vida do Coritiba Foot Ball Club e o Desporto Paranaense”, de 1944, de Francisco Genaro Cardoso. O Departamento de Publicidade do Clube, embora tenha editado este livro, não o publicou
Cento e cinquenta e um homens fundaram o Coritiba e estão listados em matérias jornalísticas de 1933 e 1979 e relacionados na placa de bronze, entregue pela diretoria o Clube, que os homenageou em 1999.

Já em 1909, o Coritiba garantia o direito de participação independentemente da nacionalidade
O primeiro e o segundo estatuto do Clube já indicavam a possibilidade de participação, sem “impedimentos” quanto a nacionalidade, por exemplo. Além disto, o idioma oficial nas reuniões e documentos era o português, diferentemente de outros clubes sociais de origem alemã.
Entre os fundadores, além de pessoas nascidas no Brasil, trinta pessoas que nasceram na Alemanha, Argentina e Áustria, além da Itália, bem como pessoas nascidas na Rússia e na Suécia.
Da mesma forma, existam entre os fundadores, pessoas com descendência de países como a Polônia, Inglaterra e França. Da mesma forma, pessoas com descendentes de de primeiro grau nascidos em Portugal e na Checoslováquia (atualmente, República Tcheca) e Suíça.
Ao se analisar uma segunda geração de familiares, foram encontrados fundadores descendentes de avós e/ou avôs nascidos na Espanha.

As diferenças entre os números de fundadores
Existem diferentes dados quando o assunto são os fundadores do Coxa. Um deles, encontrado em uma placa de bronze, comemorativa à fundação do Clube.
A placa, de 1991, lista 141 pessoas, divididas entre os cinco primeiros dirigentes (todos também sócios-fundadores) e outros 136 nomes de sócios fundadores. A homenagem está afixada em uma das paredes da antiga sede administrativa do Alviverde, no Estádio Couto Pereira.

Entretanto, existem dois documentos no Acervo do Coritiba que nominam, em ordem numérica crescente, a relação de 151 pessoas que fundaram o Clube: o Relatório da Assembléa Geral de 28/09/1927 e o Relatório dos Trabalhos do Anno de 1926-1927, ambos assinados pelo então presidente do Cori, Major Antônio Couto Pereira.
Nesses dois documentos o registro é de 151 pessoas que fundaram o Clube. Entretanto, o correto seria 152. Nesse sentido, a então diretoria do Coritiba considerou João Cardoso Rocha e João Christiano Rocha como uma única pessoa.

Mais informações sobre João Christiano Rocha e João Cardoso Rocha
João Christiano Rocha e João Cardoso Rocha tiveram o registro de saída do Coxa na Ata da Sessão de Directoria ocorrida em 26/11/1910.
Complementarmente a isso, a documentação do Acervo do Coritiba indica que na Ata da reunião de 02/07/1910, entre os sócios propostos e aceitos estavam: “Ernesto Moura Brito, Ilio De Lavigne, Frank Ritzmann, Affonso Weiss, Paul Wintz, Gustavo Tubinambá, M. C. de Carvalho, Fritz Eurich, Adolpho Müller, Luiz Cunha, Edmmundo Hey Jr., Alfredo Müller II, Carlos Frank, Francisco Cansiani, Jorge Bond, Max Wulkow, J. Cardoso Rocha [grifo nosso], Octavio A. Natel, Arthur C. Lima, Euripedes Moreira e Reynaldo Isbern. Ficaram suspensas até ulterior deliberação João C. Rocha, Alexandre Wunder, Theophilo Pereira e Oscar Chaves.”
Além disso, também no Acervo do Clube, os registros documentais indicam que, na Ata datada de 30/08/1910, existe a informação de que “consultada a comissão de sindicância responsável pela apuração do pedido de associação de Theophilo Pereira, Oscar Chaves, Alexandre Wendler e João Christiano Rocha [grifo nosso], foram todas aceitas”.
Pessoas que não aparecem nas listas de fundadores, mas aparecem em outros documentos relacionados ao tema
Uma grande lacuna da história do Coritiba Foot Ball Club está relacionada às pessoas que não aparecem nas primeiras listas de fundadores do Clube, mas aparecem em outros documentos relacionados.
Além dos fundadores, no Livro Ata nº 01 ou no Livro Caixa nº 01 do Clube há outras dezenove pessoas citadas. No atual momento da pesquisa que vem sendo realizada por integrantes da Comissão de Preservação da Memória e da História do Coritiba, a busca é por informações complementares destas dezenove pessoas.
Além disso, nos anúncios jornalísticos sobre as corridas que antecederam a primeira partida do Coritiba em Curitiba (12/06/1910), os jornais citaram outra pessoa: João Colais.

Todos os demais citados nos anúncios eram sócios do Clube. Dado que o evento teve grande importância institucional, portanto, pé possível levantar a hipótese de que todos os citados naqueles anúncios, incluindo João Colais, eram sócios do Coritiba.
Uma lacuna histórica nos registros oficiais do Coritiba
É importante ressaltar que tanto a primeira, bem como a segunda diretoria do Alviverde, era composta por algumas pessoas com experiência institucional. Por exemplo, pessoas que participaram do Teuto Brasileiro, inclusive, na revisão estatutária daquele clube, como Leopoldo Obladen e Walter Dittrich (A Republica, Anno XXIII, nº 267, 13/11/1908).
Ainda em 1909, no Cori, Obladen foi o primeiro secretário do Clube; por sua vez, Dittrich, o primeiro tesoureiro do Alviverde.

Já em 1910, uma nova diretoria Coxa-Branca foi formada. Por indicação de Leopold Obladen (durante a Assembleia Ordinária do Coritiba, de 21/04/1910), o cardo de primeiro-secretário ficou com José Júlio Franco. Importante ressaltar que Franco já havia participado do Teuto também (conforme Ata da Assembleia Mensal Ordinária do Teuto, datada de 12/03/1906).

Justamente por haver pessoas no Coxa, com experiência vivencial em instituições formadas antes do próprio Coxa, exista a possibilidade que tais pessoas já tivessem conhecimentos adquiridos que seriam úteis à administração, bem como organização institucional do próprio Coritiba Foot Ball Club.
Nesse sentido, seriam estratégicos os cargos como o de primeiro-secretário (a pessoa responsável por escrever o que iria ou não às atas do Clube), assim como o primeiro-tesoureiro (a pessoa responsável por toda a gestão financeira do Clube).
Então, neste contexto institucional, uma lacuna histórica do Coritiba é a de saber o motivo de existirem registros de pessoas que foram aceitas como sócios e pessoas que tiveram pagamentos realizados para o Cori e que foram lançados contabilmente no livro caixa, mas não terem sido inclusas nas listas de fundadores que foram realizadas posteriormente.
Núcleos importantes entre os fundadores do Alviverde
Entre os núcleos principais de fundadores do Alvivrede, um era o time que jogou em 24/10/1909. Basicamente, aquele foi um time formado por brasileiros de origens germânicas. Parte daqueles atletas já praticava o futebol no Teuto pelo menos desde agosto de 1909, como indicam documentos encontrados no próprio Teuto Brasileiro.
“O Sr. Hans Meister perguntou se o Clube de Futebol deve ser considerado como uma subdivisão do Clube Teuto-Brasileiro, ao qual o Sr. Leopold Obladen [na época, diretor esportivo] respondeu que sim.” (Ata da Reunião do Conselho Esportivo de 24 de Agosto de 1909).

Havia também relação com praticantes do ciclismo, especialmente de origem alemã. O Club de Ciclystas Curitybanos [ligado à Associação dos Empregados do Commercio de Curityba] promoveu em 24/11/1901, no Prado Paranaense, provas de ciclismo.
Naquela oportunidade, Percy Whithers era um dos juízes e Gustavo Tupynanbá um dos ciclistas competidores (Diario da Tarde, Ano 1901\Edição 00829, 22/11/1901). Whiters e Tupynambá viriam a se tornar sócios-fundadores do Coxa.


Cinco anos depois, os laços estavam ainda mais estreitos: isso porque a Associação Curitybana dos Empregados no Commercio convidava, para um domingo, 02/12/1906, as diretorias do Club Gymnastico Teuto Brasileiro e do Radfahrer Club para organizar o campeonato de ciclismo em 1907 (A Republica, Ano 1906\Edição 00280, 27/11/1906).
As famílias com maior número de sócios-fundadores do Verdão
No Coxa, são as seguintes as famílias com maior número de fundadores: em 1º lugar, os Hauer (8 fundadores); seguidos pelos Hatschbach e os Koch (4 fundadores cada uma dessas famílias).
Importante ressaltar que havia cinco pessoas com sobrenome Müller entre os fundadores identificados pelo historiador Alan Roger Galvão, que faz parte do grupo de pesquisa Helênicos, e responsável por uma extensa pesquisa sobre a origem familiar dos fundadores do Verdão.
Entretanto, dois desses fundadores (Adolfo e Alfredo II) eram filhos de Gottlieb Müller e Anna Maria Baumer e outros dois (Max e Alfredo III), filhos do casal Johann Rudolf Müller Jr. e Frederike Dorothea Leopoldine Kirchof.
O quinto fundador de sobrenome Ludovico Guilherme Müller, o “Willy”. Guilherme era irmão de Alfredo Müller I, que não foi fundador do Cori.
Os irmãos Alfredo e Guilherme eram filhos do casal Guilherme Müller e Catharina Sledz, ambos naturais da Alemanha. Além deles, também eram alemães os avôs e avós, tantos paternos, assim como maternos: Luduvico Muller e Luiza Müller; Jacob Scheletz e Catharina Scheletz. Enquanto Guilherme se casou com Lucia Joanna Rasera, em 01/0/1919, por sua vez Alfredo teve como esposa Margarida Marty, ao casar em 07/05/1910.
Finalmente, há três sócios-fundadores com sobrenome Carvalho: Adolfo Carvalho; Alcides Estevão de Carvalho; e Manoel C. Carvalho. No entanto, até o momento, as pesquisas não conseguiram identificar a origem familiar desses três sócios-fundadores do Cori para saber se têm ou não uma origem familiar em comum.
Características entre alguns fundadores
No recorte por idade, tivemos fundadores bem jovens (nascidos em 1893, 1894, 1895) outros com bem mais idade (nascidos em 1852, 1853 e 1854).
Entre os fundadores, diferentes opções religiosas. Além disso, diferentes condições econômicas, de pequenos a grandes prestadores de serviços, comerciantes ou industriais.
Participação de pessoas de origem brasileira ou luso-brasileira
Até o momento, no Acervo do Coxa, ainda não foram encontrados documentos que tenham relação com os fundadores cujos sobrenomes, naquela época, eram usualmente utilizados por famílias de origem brasileira ou então luso-brasileira.
Logo, será necessário pesquisar mais sobre fundadores com sobrenome Andrade, Assumpção, Barbosa, Brito, Carvalho, Correia, Costa, Cunhas, Franco, Lima, Macedo, Moura, Neves, Pacheco, Paiva, Pereira, Ribas, Rocha, Tramujas, Vieira. Da mesma forma, sobre Roriz e Tupynambá, cujas famílias contém registros em Goiás e no Maranhão.


A participação feminina no ano seguinte à fundação do Alviverde
A bandeira oficial do Coritiba foi criada no ano de 1910. O símbolo foi confeccionada por senhoritas, sendo que quatro delas levaram a bandeira no evento que antecedeu a partida realizada em 12/06/1910.

Os primeiros presidentes do time Coxa-Branca
Entre 1909 e 1916, ano do primeiro título, o Coritiba teve cinco presidentes, sendo quatro brasileiros e um argentino. Um deles, com descendência teuto-brasileira (João Vianna Seiler, duas vezes eleito durante esse período); dois com descendência alemã (Leopoldo Obladen e Frederico Essenfelder); um com descendência italiana (Constante Fruet, o primeiro presidente Campeão).
Diretoria do Alviverde propôs o tombamento do Acervo do Coritiba
Em 21/08/2025, a diretoria do time Coxa-Branca formalizou o pedido de tombamento do Acervo do Clube, de forma a dar melhores condições de guarda, tanto quanto ampliar o acesso público aos itens. O pedido foi realizado por meio do Processo Administrativo Eletrônico nº 01-212074/2025, que será analisado e deliberado junto ao Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Curitiba (CMPC).
Em Curitiba, existe uma legislação local específica para o tombamento de itens de relevância histórica para o Município. Esse é um tema regulamentado pelo Decreto nº 360, de 29/03/2019. A referida legislação conceitua o que é o Tombamento: “ato administrativo que declara a singularidade e excepcionalidade de um bem considerado individualmente ou em conjunto, seja móvel ou imóvel, público ou privado, pertencente à pessoa física ou jurídica”.
Além disso, essa ação está relacionada “em razão do seu valor cultural, histórico, paisagístico, científico, artístico, turístico, arquitetônico ou ambiental, com instituição de um regime jurídico especial de propriedade como forma a garantir sua preservação e conservação”.
As pesquisas continuam e mais pessoas podem doar cópias digitais de seus acervos para o Coritiba
As pesquisas sobre a história do Coxa seguem com os trabalhos da Comissão de Preservação da Memória e da História do Coritiba Foot Ball Club. Primordialmente, quando o assunto são os fundadores do Verdão, a pesquisa é realizada conjuntamente com o grupo de historiadores Helênicos, estudiosos da história coritibana.
Da mesma forma, atividades vêm sendo realizadas pelo grupo de pesquisa e extensão a partir do núcleo de ciências jurídicas. Entretanto, este grupo recebe alunos de outras áreas da UFPR.
Por se tratar de uma pesquisa de grande amplitude e dificuldades no acesso de fontes primárias, atualizações dos bancos de dados são sempre bem-vindas e recomendadas, de forma aprimorar a metodologia de trabalhos.
Logo, é importante destacar que eventuais imprecisões podem ocorrer, sendo um problema da pesquisa. Por isso mesmo é tão importante que se disponibilizem novas fontes documentais.
Portanto, familiares dos fundadores do Coritiba Foot Ball Club que tenham interesse em doar cópias digitais de itens relacionados aos fundadores podem entrar em contato com a direção do Clube clicando aqui.
Verdão tem uma parceria técnica com a UFPR para melhor cuidar da história do Clube
Em uma parceria entre o Coritiba e a UFPR, o acervo histórico do Verdão também é cuidado por acadêmicos de graduação, bem como de pós-graduação. Nesse sentido, são pessoas com interesse em pesquisar mais a história do Clube e sua relação direta com a cidade de Curitiba.
O grupo de pesquisa e extensão foi formado a partir do núcleo do Setor de Ciências Jurídicas da Universidade Federal do Paraná. O grupo conta com alunas e alunos também de outras áreas da UFPR, como da História, Ciências Sociais e Educação Física. A equipe iniciou os trabalhos acadêmicos no acervo histórico do Coxa em 02/07/2025.
O professor Luís Fernando Lopes Pereira é o líder do grupo de pesquisa. Ele conta com a colaboração de outro docente da Universidade, o professor de Sociologia na Faculdade de Direito, Rodrigo Horochowski, que também acompanha as atividades de pesquisa científica do grupo. Entre os achados do grupo, borderôs e relatórios financeiros de todos os jogos do Coritiba no Torneio do Povo.
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As principais responsabilidades da diretoria do Coritiba Foot Ball Club, como Associação, estão vinculadas à fiscalização do contrato de compra e venda da SAF. Nesse sentido, são obrigações diretivas:
– Principalmente, acompanhar o cumprimento do pagamento das dívidas, em especial das parcelas da recuperação judicial da Associação;
– Da mesma forma, o cumprimento dos aportes financeiros anuais na gestão do Clube (futebol e atividades de apoio);
– Além disso, a gestão patrimonial. Inclusive quanto a manutenção e investimentos no CT Bayard Osna, no novo CT, tanto quanto no Estádio Major Antônio Couto Pereira;
– Bem como, os cuidados com a preservação histórica.
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Se você encontrou algum erro nesta matéria, por favor, entre em contato. Além disso, o Coritiba Foot Ball Club preza pelos créditos merecidos, então nos avise sobre eles.