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Nos tempos de Cori-Caf

18/10/2025 - 07:10
Luiz Carlos Betenheuser Júnior

Nos tempos de Cori-Caf, um clássico do futebol paranaense que já foi maior do que o próprio clássico AtleTiba.

Por Matheus Neme

Em semana de clássico AtleTiba, a cidade de Curitiba só tem um assunto. Indiscutivelmente o
maior clássico do Paraná, é uma partida que mexe com o coração de toda a capital. A
rivalidade histórica é incontestável e memorável para os dois lados do duelo. Acontece que
durante algumas décadas do século XX, a rivalidade que movimentava as ruas de Curitiba era o
Cori-Caf.

Diario da Tarde, Ano 1965/Edição 20589, 14/10/1965


O primeiro Cori-Caf aconteceu em maio de 1931. O Coritiba enfrentava o recém-nascido
Ferroviário no Campeonato Paranaense. A vitória do Verdão por 2×1 pouco foi noticiada nos
jornais da época, que davam destaque ao bom desempenho de Pizzatinho. Depois do primeiro
encontro, o coritibanos enfrentaram os ferroviários corriqueiramente durante os anos
seguintes.

Pizzatinho, um dos grandes craques da história do Coritiba


A rivalidade foi sendo construída naturalmente ao longo dos confrontos entre as equipes,
donas de duas relevantes torcidas. Porém, a definição de clássico começa a ser utilizada
mesmo a partir da década de 1950. O Cori-Caf, também chamado de Ferro-Tiba, movimentava
milhares de apaixonados e muitas vezes decidiram títulos.


Durante os anos de 1950 e 1960, a dupla dominou o cenário futebolístico do estado. No
período, foram 9 títulos paranaenses para o Coxa e 4 para o “Boca-Negra”, como era
conhecido. Outro ponto é a grande quantidade de conquistas do interior do estado nessas
décadas.

Nos tempos de Cori-Caf


Foi assim que esse clássico “suplantou” o AtleTiba, segundo periódicos como o Diario da Tarde.
Além disso, a arrecadação e bilheteria do Cori-Caf chegou a ser maior em mais de uma ocasião.
Em coluna no jornal Diario do Paraná, o jornalista Carneiro Neto já destrinchava sobre as
rivalidades envolvendo o Alviverde em 1970.


“A coisa mais gostosa do futebol paranaense é a rivalidade existente entre os três grandes
clubes de Curitiba. O AtleTiba é o nosso clássico mais antigo, o clássico da rivalidade e das
grandes plateias. Dividiu-se a torcida curitibana entre os três clubes. Todo ano nós temos
choques dos tradicionais adversários e a guerra das torcidas que se movimentam nos clássicos
AtleTiba, Cori-Caf e Cap-Caf”
, registrou em 2 de julho de 1970.


O último embate entre as equipes foi em junho de 1971 pelo Campeonato Paranaense. No
estádio Durival Britto e Silva, o Cori foi derrotado pelo magro placar de 1×0. O retrospecto do
Cori-Caf contabiliza, de acordo com dados do Grupo Helênicos, 118 partidas. Assim como
todos os outros clássicos da capital, o Coritiba leva vantagem. Foram 54 vitórias do Coxa
contra 33 derrotas, além de 31 empates. Com 261 gols marcados contra 215.

Diario da Tarde, Ano 1958/Edição 20561, 04/01/1958


Coritiba sempre reinou na cidade


O contexto que se desenvolveu o Cori-Caf era completamente diferente do atual. A cidade de
Curitiba efervescia futebol e diversos clubes na cidade se enfrentavam no Campeonato
Paranaense em partidas disputadas. A edição de 1965, vencida pelo Coritiba, contou com sete
equipes da capital paranaense.


Eram tantas as agremiações na capital e também no estado que em 1965 o Diario da Tarde
chegou a brincar e listou os clássicos existentes na época. Dentre os duelos estavam listados
curiosos nomes envolvendo o Coxa como Coriri e Coriguá.

Mesmo em um cenário de várias agremiações ocupando a mesma cidade, o Coritiba sempre
foi soberano e vitorioso sobre os demais. O Alviverde tem mais vitórias sobre todos os clubes
de Curitiba, sejam os ativos nos tempos de Cori-Caf, ou nos que surgiram posteriormente.

Diretoria do Alviverde pretende propor o tombamento do Acervo do Coritiba

A diretoria do time Coxa-Branca já iniciou os trabalhos visando o tombamento do Acervo do Clube, de forma a dar melhores condições de guarda, tanto quanto ampliar o acesso público aos itens.

Em Curitiba, existe uma legislação local específica para o tombamento de itens de relevância histórica para o Município. Esse é um tema regulamentado pelo Decreto nº 360, de 29/03/2019. A referida legislação conceitua o que é o Tombamento: “ato administrativo que declara a singularidade e excepcionalidade de um bem considerado individualmente ou em conjunto, seja móvel ou imóvel, público ou privado, pertencente à pessoa física ou jurídica”.

Além disso, essa ação está relacionada “em razão do seu valor cultural, histórico, paisagístico, científico, artístico, turístico, arquitetônico ou ambiental, com instituição de um regime jurídico especial de propriedade como forma a garantir sua preservação e conservação”.

As pesquisas continuam e mais pessoas podem doar cópias digitais de seus acervos para o Coritiba

As pesquisas sobre a história do Coxa seguem com os trabalhos da Comissão de Preservação da Memória e da História do Coritiba Foot Ball Club. Primordialmente, quando o assunto são os fundadores do Verdão, a pesquisa é realizada conjuntamente com o grupo de historiadores Helênicos, estudiosos da história coritibana.

Da mesma forma, atividades vêm sendo realizadas pelo grupo de pesquisa e extensão a partir do núcleo de ciências jurídicas. Entretanto, este grupo recebe alunos de outras áreas da UFPR.

Por se tratar de uma pesquisa de grande amplitude e dificuldades no acesso de fontes primárias, atualizações dos bancos de dados são sempre bem-vindas e recomendadas, de forma aprimorar a metodologia de trabalhos.

Logo, é importante destacar que eventuais imprecisões podem ocorrer, sendo um problema da pesquisa. Por isso mesmo é tão importante que se disponibilizem novas fontes documentais.

Portanto, familiares dos fundadores do Coritiba Foot Ball Club que tenham interesse em doar cópias digitais de itens relacionados aos fundadores podem entrar em contato com a direção do Clube clicando aqui.

Verdão tem uma parceria técnica com a UFPR para melhor cuidar da história do Clube

Em uma parceria entre o Coritiba e a UFPR, o acervo histórico do Verdão também é cuidado por acadêmicos de graduação, bem como de pós-graduação. Nesse sentido, são pessoas com interesse em pesquisar mais a história do Clube e sua relação direta com a cidade de Curitiba.

O grupo de pesquisa e extensão foi formado a partir do núcleo do Setor de Ciências Jurídicas da Universidade Federal do Paraná. O grupo conta com alunas e alunos também de outras áreas da UFPR, como da História, Ciências Sociais e Educação Física. A equipe iniciou os trabalhos acadêmicos no acervo histórico do Coxa em 02/07/2025.

O professor Luís Fernando Lopes Pereira é o líder do grupo de pesquisa. Ele conta com a colaboração de outro docente da Universidade, o professor de Sociologia na Faculdade de Direito, Rodrigo Horochowski, que também acompanha as atividades de pesquisa científica do grupo. Entre os achados do grupo, borderôs e relatórios financeiros de todos os jogos do Coritiba no Torneio do Povo.

*** CFC ***

As principais responsabilidades da diretoria do Coritiba Foot Ball Club, como Associação, estão vinculadas à fiscalização do contrato de compra e venda da SAF. Nesse sentido, são obrigações diretivas:

– Principalmente, acompanhar o cumprimento do pagamento das dívidas, em especial das parcelas da recuperação judicial da Associação;

– Da mesma forma, o cumprimento dos aportes financeiros anuais na gestão do Clube (futebol e atividades de apoio);

– Além disso, a gestão patrimonial. Inclusive quanto a manutenção e investimentos no CT Bayard Osna, no novo CT, tanto quanto no Estádio Major Antônio Couto Pereira;

– Bem como, os cuidados com a preservação histórica.

***

Se você encontrou algum erro nesta matéria, por favor, entre em contato. Além disso, o Coritiba Foot Ball Club preza pelos créditos merecidos, então nos avise sobre eles.

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