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Coritiba Campeão em 1968 (e o vice ficou para o arquirrival)!

26/11/2025 - 07:11
Luiz Carlos Betenheuser Júnior

Coritiba Campeão em 1968 (e o vice ficou para o arquirrival)! Conheça um pouco mais sobre a história do Coxa e sobre um dos mais emocionantes títulos conquistados pelo time do Alto da Glória, justamente sobre o arquirrival da Baixada.

Muitas pessoas que vivenciaram ou conhecem detalhes sobre aquela temporada de 1968 como o mais emocionante Campeonato Paranaense de futebol da história do torneio regional. Isso, também, porque a rivalidade AtleTiba ganhou contornos especiais naquele ano.

Enquanto o arquirrival voltava a jogar a Primeira Divisão, graças a uma mudança no regulamento, inclusive com apoio do próprio Coritiba, o Verdão do Alto da Glória buscava o título.

Então presidido por Evangelino da Costa Neves, o Cori vinha de um aprendizado do ano anterior, quando ficou em terceiro lugar. E Evangelino, desta vez, estava atento aos detalhes do início ao fim do torneio regional, focado na conquista máxima, formando um elenco muito determinado e competitivo.

Foto do fotógrafo Humberto Utrabo, profissional que acompanhou o Coxa durante décadas, registrou o elenco campeão da temporada de 1968. A foto daquele elenco coritibano foi publicada pela Revista Paraná em Páginas, um importante veículo de comunicação da época.

A Paraná em Páginas era uma revista sob responsabilidade do jornalista Cândido Gomes Chagas, o Candinho, que também foi um importante e atuante conselheiro do Coritiba, que da mesma forma atuou como dirigente em outros esportes, como o futebol de salão e o turfe.

O rebaixamento do arquirrival em 1967

Na temporada anterior, o ano de 1967 foi muito duro para o time da Baixada. Com um desempenho péssimo em campo, acabou sendo rebaixado para a Segunda Divisão paranaense.

Apesar da pouca cobertura jornalística pela imprensa especializada da época, é possível encontrar alguns esparsos registros daquele rebaixamento:

Com a dor da queda, a diretoria do arquirrival resolveu investir bastante na formação do elenco para a temporada seguinte, pois uma mudança no regulamento, que contou com o apoio inclusive do Alviverde, o A. Paranaense pode participar da Primeira Divisão do Campeonato Paranaense de 1968. Nesse sentido, investiu em contratações de atletas renomados no cenário nacional.

1968: um ano de enorme rivalidade e expectativa

Com a dupla AtleTiba muito interessada na conquista do título máximo do futebol do Paraná, à medida em que a competição avançava, o interesse crescia.

Nesse sentido, por exemplo, ambas as diretorias estimulavam as suas torcidas [“Coxas” e “Cartolas”, segundo o jornal Diario da Tarde] a irem aos AtleTibas. Uma das iniciativas era a competição de bandeiras, inclusive com adolescentes menores de 14 anos, que levassem bandeiras, não pagavam ingresso.

Matéria do Diario da Tarde, Ano 1968\Edição 21362A, 06/07/1968 destacava as promoções das duas diretorias para um AtleTiba

A história de 1968 desenhada

Durante a cobertura jornalística da competição, o jornal Gazeta do Povo tinha um espaço dedicado ao desenhista Xixo Fernandes. O cartunista utilizava-se de desenhos que destacavam os desempenhos dos times nas rodadas.

Um destes desenhos circulou durante o ano de 2025, em um grupo de discussão em uma rede social. O sócio do Coxa, José Derujo Lima, encaminhou uma cópia digital do referido desenho ao Acervo do Clube . Confira a seguir:

Do lado Coxa, a reportagem destacava o Coritiba como sendo do “Alto da Glória”; já o arquirrival, com seu antigo mascote, de fraque e cartola. Aquele símbolo era uma alusão às origens elitistas e aristocráticas de fundadores do Internacional. Este time depois se fundiu com o América, dando origem ao time da Baixada.

Outra curiosidade interessante é um item que fazia parte do acervo que no antigo Museu do Cori. Aquele museu, durante alguns anos da década passada, ficava situado na Reta da Rua Mauá. Em seu acervo, estava exposto um prato estilizado reforçava a rivalidade AtleTiba, que permanecia durante os anos 70:

Foto registrada em 21/10/2012

A foto da comemoração do gol do título coritibano

Uma importante foto marcou época, ao eternizar os momentos seguintes à marcação do gol do título do Coritiba em 1968. Naquele período, o time Coxa-Branca costumeiramente usava um uniforme com a camisa branca e calções e meias pretas. O uniforme originou o termo “O Time dos Calções Negros”.

Coritiba Campeão em 1968 (e o vice ficou para o arquirrival)!

Itens relembram a conquista Coxa-Branca

Dois itens de memorabilia registram a conquista do Alviverde em 1968 (os itens fazem parte do acervo do torcedor Coxa-Branca ):

Acervo de Rodrigo Fockes
Item do acervo de Rodrigo Fockes

Ouça a narração do gol do título coritibano

O canal dos pesquisadores Helênicos, no YouTube, disponibiliza uma gravação em áudio da narração do gol do título do Coxa em 1968. aulo Vecchio, aos 45 minutos do segundo tempo, anotou o gol do titulo. O clássico AtleTiba que decidiu o campeonato ocorreu em 28/08/1968, no Estádio Durival Britto.

Perante 18.720 expectadores, gol do Alviverde surgiu no último lance do jogo, quando a torcida adversária já “cantava vitória antes da hora”. Confira:

A conquista do Coritiba e o vice do rival na ótica da imprensa

A cobertura do título Coxa-Branca fez parte das páginas do jornal Diario da Tarde, importante veículo de comunicação da época. Confira logo abaixo:

Resumo da história: Coritiba Campeão; A. Paranaense, vice (Diario da Tarde, Ano 1968\Edição 21390, 29/08/1968)
As bandeiras da vibrante torcida do Coritiba foram eternizadas em 1968 (Diario da Tarde, Ano 1968\Edição 21390, 29/08/1968)

Diretoria do Alviverde propôs o tombamento do Acervo do Coritiba

Em 21/08/2025, a diretoria do time Coxa-Branca formalizou o pedido de tombamento do Acervo do Clube, de forma a dar melhores condições de guarda, tanto quanto ampliar o acesso público aos itens. O pedido foi realizado por meio do Processo Administrativo Eletrônico nº 01-212074/2025, que será analisado e deliberado junto ao Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Curitiba (CMPC).

Em Curitiba, existe uma legislação local específica para o tombamento de itens de relevância histórica para o Município. Esse é um tema regulamentado pelo Decreto nº 360, de 29/03/2019. A referida legislação conceitua o que é o Tombamento: “ato administrativo que declara a singularidade e excepcionalidade de um bem considerado individualmente ou em conjunto, seja móvel ou imóvel, público ou privado, pertencente à pessoa física ou jurídica”.

Além disso, essa ação está relacionada “em razão do seu valor cultural, histórico, paisagístico, científico, artístico, turístico, arquitetônico ou ambiental, com instituição de um regime jurídico especial de propriedade como forma a garantir sua preservação e conservação”.

As pesquisas continuam e mais pessoas podem doar cópias digitais de seus acervos para o Coritiba

As pesquisas sobre a história do Coxa seguem com os trabalhos da Comissão de Preservação da Memória e da História do Coritiba Foot Ball Club. Primordialmente, quando o assunto são os fundadores do Verdão, a pesquisa é realizada conjuntamente com o grupo de historiadores Helênicos, estudiosos da história coritibana.

Da mesma forma, atividades vêm sendo realizadas pelo grupo de pesquisa e extensão a partir do núcleo de ciências jurídicas. Entretanto, este grupo recebe alunos de outras áreas da UFPR.

Por se tratar de uma pesquisa de grande amplitude e dificuldades no acesso de fontes primárias, atualizações dos bancos de dados são sempre bem-vindas e recomendadas, de forma aprimorar a metodologia de trabalhos.

Logo, é importante destacar que eventuais imprecisões podem ocorrer, sendo um problema da pesquisa. Por isso mesmo é tão importante que se disponibilizem novas fontes documentais.

Portanto, familiares dos fundadores do Coritiba Foot Ball Club que tenham interesse em doar cópias digitais de itens relacionados aos fundadores podem entrar em contato com a direção do Clube clicando aqui.

Verdão tem uma parceria técnica com a UFPR para melhor cuidar da história do Clube

Em uma parceria entre o Coritiba e a UFPR, o acervo histórico do Verdão também é cuidado por acadêmicos de graduação, bem como de pós-graduação. Nesse sentido, são pessoas com interesse em pesquisar mais a história do Clube e sua relação direta com a cidade de Curitiba.

O grupo de pesquisa e extensão foi formado a partir do núcleo do Setor de Ciências Jurídicas da Universidade Federal do Paraná. O grupo conta com alunas e alunos também de outras áreas da UFPR, como da História, Ciências Sociais e Educação Física. A equipe iniciou os trabalhos acadêmicos no acervo histórico do Coxa em 02/07/2025.

O professor Luís Fernando Lopes Pereira é o líder do grupo de pesquisa. Ele conta com a colaboração de outro docente da Universidade, o professor de Sociologia na Faculdade de Direito, Rodrigo Horochowski, que também acompanha as atividades de pesquisa científica do grupo. Entre os achados do grupo, borderôs e relatórios financeiros de todos os jogos do Coritiba no Torneio do Povo.

*** CFC ***

As principais responsabilidades da diretoria do Coritiba Foot Ball Club, como Associação, estão vinculadas à fiscalização do contrato de compra e venda da SAF. Nesse sentido, são obrigações diretivas:

– Principalmente, acompanhar o cumprimento do pagamento das dívidas, em especial das parcelas da recuperação judicial da Associação;

– Da mesma forma, o cumprimento dos aportes financeiros anuais na gestão do Clube (futebol e atividades de apoio);

– Além disso, a gestão patrimonial. Inclusive quanto a manutenção e investimentos no CT Bayard Osna, no novo CT, tanto quanto no Estádio Major Antônio Couto Pereira;

– Bem como, os cuidados com a preservação histórica.

***

Se você encontrou algum erro nesta matéria, por favor, entre em contato. Além disso, o Coritiba Foot Ball Club preza pelos créditos merecidos, então nos avise sobre eles.

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