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Pioneirismo e tradição: o Coxa é patrimônio do Paraná!

13/12/2025 - 03:12
Luiz Carlos Betenheuser Júnior

Pioneirismo e tradição: o Coxa é patrimônio do Paraná! Agora é lei em todo o estado que o Coritiba Foot Ball Club é patrimônio paranaense.

Está lá: nesta quarta-feira, 10 de dezembro, foi sancionado o reconhecimento do Coritiba Foot Ball Club como Patrimônio Cultural Imaterial do Paraná. Esse reconhecimento é muito importante para que os símbolos históricos do Clube tenham, agora, ampla proteção. Justamente porque agora é considerada que a dimensão histórica e social do Coritiba tem um valor inestimável na sua existência.

Da mesma forma, é importante ressaltar que a “Lei das SAF” vem a nominar os símbolos do Clube como “signos identificativos”. Consequentemente, os símbolos devem ser melhor tratados no Novo Estatuto, que já está em análise pelo Conselho Deliberativo do Alviverde.

Fonte: Diário Oficial Executivo


Pioneiro: projeto antigo com firme lastro histórico e social, por reconhecimento 

O reconhecimento do Coritiba, pelo Estado do Paraná, é um marco importante de uma História que começou há muito tempo. Uma história notabilizada por envolvimento social, trabalho sério a muitas mãos e pioneirismo. Segundo o vice-presidente do Coritiba, Luiz Carlos Betenheuser Júnior, “Nossa gestão veio com este projeto forte de preocupação com a História do Coxa. Isso era algo que durante muito tempo existiu no Clube, mas que de uns tempos para cá perdeu força”.

Luiz ressalta que “Então, quando assumimos o Clube, em janeiro de 2025, conseguimos reunir, e formar uma Comissão de História” . Trata-se de uma comissão mista, criada pelo Conselho Deliberativo, encarregada de promover ações de preservação histórica no Alto da Glória.

Segundo Betenheuser, a partir dessa Comissão, denominada “Os Coritibanos”, o Clube passou a contar com uma equipe múltiplos conhecimentos. São profissionais de referência destacada na área da arquivologia, museologia , bem como na pesquisa acadêmica. Além disso, atualmente, o Clube agora conta um convênio com a Universidade Federal do Paraná.

Fonte: Globo Esporte

A busca pelo reconhecimento da importância do Coritiba junto ao estado do Paraná

Foi então que um passo pioneiro foi tomado. Iniciou-se uma busca pelo reconhecimento público da importância histórica e cultural do Clube para a sociedade curitibana e paranaense. Afirma o vice-presidente Daniel Ferreira: “Olha, esse pedido por reconhecimento, que já era cogitado lá no início do ano e foi formalizado em agosto. Ele acabou sendo meio que um caminho lógico para o qual fomos levados. Isso porque fomos instruídos pelo corpo de pesquisadores que formamos na Comissão de História do Clube

Entretanto, além da parceria com a UFPR, cada vez mais pessoas procuram a diretoria coritibana para colaborar com a preservação da história do Verdão. “Além do rico acervo que encontramos , muitas pessoas têm nos procurado para nos ajudar a contar essa história. São pessoas que trazem “memórias e fontes inéditas. A ligação entre o Coritiba, Curitiba e a nossa região é muito forte. As memórias do Coritiba são as memórias das pessoas que construíram nossa sociedade!”, reforça o dirigente do Coxa.

Fonte: O Blog do Couto  

A participação da nossa gente pelo reconhecimento da história coritibana

A trajetória, de busca pelo reconhecimento público do Coritiba como patrimônio cultural teve logo uma grande movimentação entre a comunidade do Clube. Um abaixo-assinado foi criado, com mais de mil pessoas rapidamente apoiando a causa. Importante ressaltar a protagonista atuação do Coletivo Coritibano na iniciativa.

Fonte: site Petição Pública

Fonte: página do Coletivo Coritibano

O vice-presidente e Doutor em História pela Universidade Federal do Paraná e pela Universitat Autònoma de Barcelona, Daniel Ferreira, destaque a participação popular no Coritiba. “O Coritiba é um Clube muito orgânico. Um Clube muito demarcado pela construção e engajamento coletivo ao longo de sua História. Ou como como se diz ‘O Coritiba Somos Nós’ né?!.

Nesse sentido, Daniel reforça que o Coxa “Tem um lastro histórico e social muito sólido… então, esse tipo de movimento acaba sendo normal. Algo que vem de forma autônoma de ‘baixo para cima’. Isso tudo porque é algo muito forte, que já está com as pessoas”.

O projeto por reconhecimento no âmbito estadual

Em outubro de 2025, os deputados Anibelli Neto e Artagão Júnior somaram esforços. Assim sendo, ambos  levaram uma proposta de reconhecimento do Coritiba como patrimônio histórico, cultural e imaterial do Estado do Paraná.  

Fonte: proposições à Assembléia Legislativa do Paraná, site da Assembléia

Correções à proposta apresentada na Assembleia Legislativa 

A notícia da proposta na Assembleia Legislativa foi recebida com muita satisfação pela Comissão de História do Coritiba, que preocupou-se em avaliar com cuidado o valioso projeto. Numa análise minuciosa do texto da proposta – considerada muito bem construída de forma geral. Entretanto, a Comissão notou alguns trechos que tangenciavam lacunas e/ou memórias que não encontravam sustentação na pesquisa histórica.  

Especificamente, sobre as cores do clube, o texto afirmava, inicialmente que o “verde” do Clube seria proveniente de uma inspiração da bandeira do Estado do Paraná. Esta, na verdade, é uma hipótese que existe, mas que ainda carece de fontes consistentes e, portanto, de um consenso entre os especialistas.

Entretanto, há outras hipóteses pela adoção do verde: poderia ser por inspiração à bandeira da cidade de Curitiba. Assim como poderia vir dos símbolos do clube teuto-brasileiro (onde havia o verde destacado), de onde muitos que fundaram o Coritiba eram provenientes. Ou então, poderia ser pela mera disponibilidade que houve no momento de aquisição do uniforme para o clube jogar a sua primeira partida, em Ponta Grossa (1909). 

O escudo do Coritiba é uma alusão à bola de futebol

Para além da questão da cor, a proposta trazia a afirmação de que o escudo poderia ser inspirado na representação dos pinhões e da araucária, espécie nativa muito comum da região.

Essa é uma memória que ora ou outra aparece entre a comunidade coritibana, mas muito provavelmente trata-se de uma “memória inventada”. Algo que deve ter sido muito estimulada pelo movimento paranista, de 1920, o qual trazia amplas referências a araucária como elemento identitário paranaense. Aliás, esta mesma ideia apareceu em uma proposta recente de mudança de escudo do Clube, amplamente rejeitada pela torcida, onde fazia-se referência ao escudo como um “globo” associado aos “pinhões”.

Fonte: proposta rejeitada de “modernização” do escudo do Coritiba (2023)

Nos anos 90, a reforma estatutária alterou a conceituação do escudo do Alviverde

Vale lembrar também que a atual redação do Estatuto do Coritiba Foot Ball Club vigente – transposta ao Estatuto Social da SAF – referencia o escudo do Coritiba como sendo a representação do “globo terrestre”. Esta ideia foi reproduzida também na proposta apresentada na Assembleia, e encontra igualmente uma história curiosa: foi uma mudança trazida na reforma estatutária de meados de 1990, que passou a adotar esta descrição:

Fonte: Estatuto do Coritiba Foot Ball Club (vigente)   

Para o vice presidente do Coritiba, Daniel Ferreira, “Essa é uma situação muito curiosa e demonstra a riqueza do Coritiba na vivência das pessoas, capaz de tornar narrativas diversas e memórias inventadas, como parte da explicativa da própria História do Clube”.

Uma pesquisa em estatutos anteriores do Clube, pelo menos desde 1943, evidencia que a redação adotada antes de 1995, descrevia sempre o escudo do Coritiba como simbolizando uma bola. 

Fonte: Estatuto do Coritiba Foot Ball Club de 1958

Não bastasse isso, uma análise comparativa de vários escudos de clubes de futebol no início do XX, já adentrando ao campo da “heráldica”, reforçou ainda mais que muito provavelmente o escudo do Coritiba Foot Ball Club foi inspirado em uma “bola” da época.

O primeiro time Campeão do Coritiba, em 1916

Este seria o provável modelo de bola que inspirou o escudo do Coritiba

Enfim, a aprovação: encaminhamento de emendas à proposta da Assembleia

Considerando a importância da aprovação do Projeto apresentado na Assembleia Legislativa para o Clube, a Comissão de História do Coxa organizou-se para apresentar correções à proposta inicial.

Primeiramente, o vice-presidente do Coritiba Foot Ball Club, Daniel Ferreira, e Alysson Lopes, membro da Comissão de História do Clube, fizeram um pedido de emendas. A seguir, a deputada Ana Júlia prontamente se colocou à disposição para contribuir com aquele encaminhamento.       

Daniel Ferreira, a Deputada Ana Júlia e Alysson Lopes 

A emenda teve como relator o deputado Luiz Fernando Guerra, e obteve parecer favorável para prosseguimento da proposta:

Fonte: Parecer de Comissão da Assembleia Legislativa

Além disso tudo, Daniel Ferreira explica que “Vale destacar que, nas vésperas da votação do Projeto de Lei do Coritiba Foot Ball Club, apareceu outro pedido na Assembleia Legislativa do Paraná para que se agregasse a outro projeto de lei. Tal projeto [nº 15461], corria paralelo para reconhecer também o rival do Coritiba como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Paraná”.

Finalmente, no dia 02/12/2025, em sessão ordinária, a Assembleia Legislativa reconheceu o Verdão como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Paraná. Na sequência, a proposta seguiu para sanção do Governador do Estado.

Tombamento do acervo: um firme propósito de cuidado com a história do Clube

Sobre o tombamento do Acervo Histórico do Coritiba, Betenheuser Jr. esclarece se tratar de tema importantíssimo para o futuro daquele acervo. “Em se concretizando o tombamento do Acervo Histórico do Coritiba, os atuais e todos as pessoas que futuramente venham a dirigir o Clube terão responsabilidades ampliadas. Nesse sentido, será muito mais exigente a correta guarda e proteção do acervo”.

Da mesma maneira, o vice-presidente do Cori explica que o tombamento permitirá ao Coxa buscar financiamentos externos, junto aos setores privado e público. “Além disso, o próprio Clube poderá planejar e executar projetos de preservação histórica, com financiamentos de terceiros”, diz o dirigente. 

Um agradecimento especial a todos que se envolveram e tornaram esta proposta realidade!

Luiz Betenheuser explica que a construção de todo o processo de cuidados com a história do Cori é um legado coletivo. Por isso mesmo, ele agradece a participação de muitas pessoas envolvidas.

“Aproveito o momento de festividade por mais uma conquista da coletividade coritibana para agradecer. Há muitas pessoas para agradecer, em especial aqueles que participaram diretamente desse primeiro ano de trabalhos. Agradecer a todas as pessoas que direta ou indiretamente colaboraram com o G5 do Coxa neste processo. Agradecer ao professor Luís Fernando Lopes Pereira, líder do grupo de pesquisa da UFPR. Da mesma maneira, aos conselheiros Cesar Ianhez De Moraes Barboza Caldas, Luiz Andre Hoffmann Zampieri, assim como o Humberto Imbrunisio. Além deles, agradecer todos os jovens historiadores que apoiam o projeto: Matheus Neme, Matheus Kich, Caio Morilo Santos de Oliveira e Rudi Iurck Filho. Da mesma maneira, agradecer aos historiadores dos Helênicos, pelo suporte e informações. Finalmente, aos integrantes do Coletivo Coritibano, que adotaram a ideia e apoiaram as inciativas de cuidados históricos do Coxa”, reforça o dirigente.

Diretoria do Alviverde propôs o tombamento do Acervo do Coritiba

Em 21/08/2025, a diretoria do time Coxa-Branca formalizou o pedido de tombamento do Acervo do Clube, de forma a dar melhores condições de guarda, tanto quanto ampliar o acesso público aos itens. O pedido foi realizado por meio do Processo Administrativo Eletrônico nº 01-212074/2025, que será analisado e deliberado junto ao Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Curitiba (CMPC).

Em Curitiba, existe uma legislação local específica para o tombamento de itens de relevância histórica para o Município. Esse é um tema regulamentado pelo Decreto nº 360, de 29/03/2019. A referida legislação conceitua o que é o Tombamento: “ato administrativo que declara a singularidade e excepcionalidade de um bem considerado individualmente ou em conjunto, seja móvel ou imóvel, público ou privado, pertencente à pessoa física ou jurídica”.

Além disso, essa ação está relacionada “em razão do seu valor cultural, histórico, paisagístico, científico, artístico, turístico, arquitetônico ou ambiental, com instituição de um regime jurídico especial de propriedade como forma a garantir sua preservação e conservação”.

As pesquisas continuam e mais pessoas podem doar cópias digitais de seus acervos para o Coritiba

As pesquisas sobre a história do Coxa seguem com os trabalhos da Comissão de Preservação da Memória e da História do Coritiba Foot Ball Club. Primordialmente, quando o assunto são os fundadores do Verdão, a pesquisa é realizada conjuntamente com o grupo de historiadores Helênicos, estudiosos da história coritibana.

Da mesma forma, atividades vêm sendo realizadas pelo grupo de pesquisa e extensão a partir do núcleo de ciências jurídicas. Entretanto, este grupo recebe alunos de outras áreas da UFPR.

Por se tratar de uma pesquisa de grande amplitude e dificuldades no acesso de fontes primárias, atualizações dos bancos de dados são sempre bem-vindas e recomendadas, de forma aprimorar a metodologia de trabalhos.

Logo, é importante destacar que eventuais imprecisões podem ocorrer, sendo um problema da pesquisa. Por isso mesmo é tão importante que se disponibilizem novas fontes documentais.

Portanto, familiares dos fundadores do Coritiba Foot Ball Club que tenham interesse em doar cópias digitais de itens relacionados aos fundadores podem entrar em contato com a direção do Clube clicando aqui.

Verdão tem uma parceria técnica com a UFPR para melhor cuidar da história do Clube

Em uma parceria entre o Coritiba e a UFPR, o acervo histórico do Verdão também é cuidado por acadêmicos de graduação, bem como de pós-graduação. Nesse sentido, são pessoas com interesse em pesquisar mais a história do Clube e sua relação direta com a cidade de Curitiba.

O grupo de pesquisa e extensão foi formado a partir do núcleo do Setor de Ciências Jurídicas da Universidade Federal do Paraná. O grupo conta com alunas e alunos também de outras áreas da UFPR, como da História, Ciências Sociais e Educação Física. A equipe iniciou os trabalhos acadêmicos no acervo histórico do Coxa em 02/07/2025.

O professor Luís Fernando Lopes Pereira é o líder do grupo de pesquisa. Ele conta com a colaboração de outro docente da Universidade, o professor de Sociologia na Faculdade de Direito, Rodrigo Horochowski, que também acompanha as atividades de pesquisa científica do grupo. Entre os achados do grupo, borderôs e relatórios financeiros de todos os jogos do Coritiba no Torneio do Povo.

*** CFC ***

As principais responsabilidades da diretoria do Coritiba Foot Ball Club, como Associação, estão vinculadas à fiscalização do contrato de compra e venda da SAF. Nesse sentido, são obrigações diretivas:

– Principalmente, acompanhar o cumprimento do pagamento das dívidas, em especial das parcelas da recuperação judicial da Associação;

– Da mesma forma, o cumprimento dos aportes financeiros anuais na gestão do Clube (futebol e atividades de apoio);

– Além disso, a gestão patrimonial. Inclusive quanto a manutenção e investimentos no CT Bayard Osna, no novo CT, tanto quanto no Estádio Major Antônio Couto Pereira;

– Bem como, os cuidados com a preservação histórica.

***

Se você encontrou algum erro nesta matéria, por favor, entre em contato. Além disso, o Coritiba Foot Ball Club preza pelos créditos merecidos, então nos avise sobre eles.

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