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Craques que voltaram da Segunda Guerra e marcaram no AtleTiba

07/11/2025 - 07:11
Luiz Carlos Betenheuser Júnior

Craques que voltaram da Segunda Guerra e marcaram no AtleTiba: Neno e Altevir defenderam as cores do Brasil e jogaram pelo Coritiba.

Confira esta postagem no Blog do Couto para conhecer mais sobre a história de dois jogadores que marcaram época no Alto da Glória, principalmente porque jogavam com muita raça pelo Coritiba. Além disto, ambos defenderam o Brasil durante a Segunda Grande Guerra. Assim sendo, Neno (o segundo maior artilheiro da história do Cori) e Altevir tem lugar cativo entre os grandes nomes do time Coxa-Branca.

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Por Matheus Neme

Os craques expedicionários que voltaram da guerra marcando em um  AtleTiba

A década de 1940 guarda histórias especiais do Coritiba que ultrapassam as quatro linhas. Enquanto o clube se consolidava como maior time do Paraná, a Segunda Guerra Mundial corria à solta e dividia as páginas dos jornais com as atualizações esportivas. Nesse contexto, o jovem Florisval Lançoni (Neno), de apenas 20 anos, chegava ao Alto da Glória para ser um dos maiores artilheiros do Cori. Dois anos depois, em 1942, era a vez do seu primo Altevir João Stella, com a mesma idade, compor o quadro de atletas do Coxa.

Logo de início o “Jeep”, como era conhecido Neno, sacudiu o futebol paranaense. O centroavante de chute poderoso e pesadelo para as defesas foi artilheiro dos Campeonatos Paranaenses de 1941, 1942, 1943 e 1944. Quando recebia a bola perto da área, era quase uma garantia de gol. Chegou a marcar incríveis sete vezes na mesma partida na vitória de 10×2 sobre o Jacarezinho em 1941.

O “Demônio Loiro”, outro codinome de Florisval, se tornou o segundo maior artilheiro da história do Coritiba, com 134 gols em 121 jogos. O ponta-esquerda Altevir também teve uma passagem marcante. Figurando ao lado do primo a partir de sua estreia, o jogador com o apelido “Bazuca” anotou, junto ao seu poderoso chute, 30 gols em 58 partidas. A família revelou grandes talentos, os irmãos de Neno, Lanzoninho e Lanzoni foram outros nomes que defenderam o Alviverde.

A cobra fumava na Europa

O Brasil já tinha declarado guerra à Alemanha e Itália em agosto de 1942. A entrada formal do país no conflito ocorreu com o Decreto nº 10.358 do presidente Getúlio Vargas. De fato, a Força Expedicionária Brasileira (FEB) foi para os campos de batalha na Itália somente em julho de 1943. Os primeiros soldados embarcaram no navio norte-americano General Mann no Rio de Janeiro com destino a Nápoles.

Enquanto isso, o Coritiba se consagrava como campeão do Campeonato Paranaense daquele ano e Neno alcançava a marca de 24 gols na competição. Portanto, com o decorrer do tempo, os Aliados enviaram mais tropas à Europa para lutar contra o Eixo, enquanto a guerra, finalmente, caminhava para o seu fim.

Na virada para o ano de 1945, a dupla de craques transferiu-se ao futebol paulista. Pouco atuaram antes de embarcar rumo ao combate e aproveitaram para treinar na capital federal enquanto esperavam o navio General Meigs. 

A participação como expedicionários brasileiros

Dessa forma, no dia 8 de fevereiro os atletas Neno e Altevir trocavam os calções e chuteiras pela farda da cobra fumante. O Tenente-Coronel Ibá Jobim de Meirelles Meigs comandou o 5º Escalão da FEB, composto por 5.082 homens, nas frias terras do inverno do sul da Itália.

O escalão ao qual os jogadores faziam parte conquistou sequenciais vitórias como Castelnuovo, Zocca e Montalto, além de participar da “Ofensiva da Primavera”, que terminou com a capitulação incondicional das forças inimigas. Os jornais da época sempre atualizavam a campanha dos craques no conflito. Além disso, informavam sobre a situação dos combatentes paranaenses.

Neno e Altevir na Itália (O Dia Ano 1945\dição 06613, 08/03/1945)

A edição do jornal Diário da Tarde, de 07/04/1945 publicou uma carta enviada pelo ex-membro da redação, João Dedeus Freitas Neto. Na mensagem, o jovem contava sobre as belezas do país, do frio que se fazia e da camaradagem entre os componentes da FEB. Entre os maiores companheiros de João, destacavam-se Neno e Altevir.

Na Europa, o dia 8 de maio de 1945 decretou a vitória dos Aliados sobre o Eixo. Doze dias depois, a Confederação Brasileira de Desportos (CBD), a pedido do Conselho Nacional de Desportos, solicita uma relação dos atletas de cada clube que estavam integrando as forças expedicionárias. O pedido tinha como objetivo tratar dos futuros festejos e homenagens para o retorno dos atletas.

A volta para casa

No mesmo mês, o Paraná começava os preparativos para receber os jogadores com consagrações. A dupla chegou ao Rio de Janeiro em 17/09/1945. Logo nos dois dias seguintes, o Coritiba já planejava a reintegração na equipe para o jogo do fim de semana contra o Comercial.

O Campeonato Paranaense continuou enquanto o Coritiba prestava homenagens aos dois pracinhas. Durante as festividades, ocorreram jantares, entregas de medalhas, bem como sessões dançantes e a inauguração de retratos dos combatentes. A euforia com a volta dos expedicionários, em especial a de Jeep, era imensa. Um dos diretores do Coxa chegou a declarar para o jornal O Dia que “a volta de Neno foi o maior presente de aniversário que o Coritiba ganhou em 1945”.

Clima muito quente no AtleTiba da decisão de 1945

Na final do Campeonato Paranaense, além de jogos com arbitragens conturbadas e discussões entre jogadores de ambos os times, outro destaque ficou para a briga entre Neno e o adversário Cireno, que chegaram a trocar bofetadas no meio de campo.

A briga resultou na expulsão de ambos e na posterior depredação, por parte do público, das cercas do lado de fora da cancha. Em seguida, o Cori chegou a ameaçar não entrar em campo para a terceira disputa, caso ocorresse uma punição ao Demônio Loiro. Autorizado a jogar, Neno marcou mais uma vez na disputa final, mas não conseguiu evitar a derrota por 2 a 1 que veio nos últimos minutos da prorrogação.

Neno: um dos maiores craques do Coritiba em todos os tempos

Neno foi um dos maiores jogadores que já vestiram a camisa do Coritiba. Com uma média superior a 1 gol por partida, é o maior artilheiro do clássico AtleTiba, com 20 gols do lado alviverde e 6 gols pelo arquirrival, ao qual jogou por um ano. O Jeep conquistou seis Campeonatos Paranaenses e se despediu do Coritiba em 1953.

Neno vestindo a camisa do Coritiba

Altevir era sinônimo de raça Coxa

Altevir, por sua vez, atuou entre 1942 e 1946, antes de ir definitivamente para o alviverde paulista. Conta com a conquista de dois campeonatos estaduais. Ambos os jogadores são sinônimos de raça e craques dentro e fora de campo.

Altevir vestindo a camisa do Coritiba

Diretoria do Alviverde propôs o tombamento do Acervo do Coritiba

Em 21/08/2025, a diretoria do time Coxa-Branca formalizou o pedido de tombamento do Acervo do Clube, de forma a dar melhores condições de guarda, tanto quanto ampliar o acesso público aos itens. O pedido foi realizado por meio do Processo Administrativo Eletrônico nº 01-212074/2025, que será analisado e deliberado junto ao Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Curitiba (CMPC).

Em Curitiba, existe uma legislação local específica para o tombamento de itens de relevância histórica para o Município. Esse é um tema regulamentado pelo Decreto nº 360, de 29/03/2019. A referida legislação conceitua o que é o Tombamento: “ato administrativo que declara a singularidade e excepcionalidade de um bem considerado individualmente ou em conjunto, seja móvel ou imóvel, público ou privado, pertencente à pessoa física ou jurídica”.

Além disso, essa ação está relacionada “em razão do seu valor cultural, histórico, paisagístico, científico, artístico, turístico, arquitetônico ou ambiental, com instituição de um regime jurídico especial de propriedade como forma a garantir sua preservação e conservação”.

As pesquisas continuam e mais pessoas podem doar cópias digitais de seus acervos para o Coritiba

As pesquisas sobre a história do Coxa seguem com os trabalhos da Comissão de Preservação da Memória e da História do Coritiba Foot Ball Club. Primordialmente, quando o assunto são os fundadores do Verdão, a pesquisa é realizada conjuntamente com o grupo de historiadores Helênicos, estudiosos da história coritibana.

Da mesma forma, atividades vêm sendo realizadas pelo grupo de pesquisa e extensão a partir do núcleo de ciências jurídicas. Entretanto, este grupo recebe alunos de outras áreas da UFPR.

Por se tratar de uma pesquisa de grande amplitude e dificuldades no acesso de fontes primárias, atualizações dos bancos de dados são sempre bem-vindas e recomendadas, de forma aprimorar a metodologia de trabalhos.

Logo, é importante destacar que eventuais imprecisões podem ocorrer, sendo um problema da pesquisa. Por isso mesmo é tão importante que se disponibilizem novas fontes documentais.

Portanto, familiares dos fundadores do Coritiba Foot Ball Club que tenham interesse em doar cópias digitais de itens relacionados aos fundadores podem entrar em contato com a direção do Clube clicando aqui.

Verdão tem uma parceria técnica com a UFPR para melhor cuidar da história do Clube

Em uma parceria entre o Coritiba e a UFPR, o acervo histórico do Verdão também é cuidado por acadêmicos de graduação, bem como de pós-graduação. Nesse sentido, são pessoas com interesse em pesquisar mais a história do Clube e sua relação direta com a cidade de Curitiba.

O grupo de pesquisa e extensão foi formado a partir do núcleo do Setor de Ciências Jurídicas da Universidade Federal do Paraná. O grupo conta com alunas e alunos também de outras áreas da UFPR, como da História, Ciências Sociais e Educação Física. A equipe iniciou os trabalhos acadêmicos no acervo histórico do Coxa em 02/07/2025.

O professor Luís Fernando Lopes Pereira é o líder do grupo de pesquisa. Ele conta com a colaboração de outro docente da Universidade, o professor de Sociologia na Faculdade de Direito, Rodrigo Horochowski, que também acompanha as atividades de pesquisa científica do grupo. Entre os achados do grupo, borderôs e relatórios financeiros de todos os jogos do Coritiba no Torneio do Povo.

*** CFC ***

As principais responsabilidades da diretoria do Coritiba Foot Ball Club, como Associação, estão vinculadas à fiscalização do contrato de compra e venda da SAF. Nesse sentido, são obrigações diretivas:

– Principalmente, acompanhar o cumprimento do pagamento das dívidas, em especial das parcelas da recuperação judicial da Associação;

– Da mesma forma, o cumprimento dos aportes financeiros anuais na gestão do Clube (futebol e atividades de apoio);

– Além disso, a gestão patrimonial. Inclusive quanto a manutenção e investimentos no CT Bayard Osna, no novo CT, tanto quanto no Estádio Major Antônio Couto Pereira;

– Bem como, os cuidados com a preservação histórica.

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Se você encontrou algum erro nesta matéria, por favor, entre em contato. Além disso, o Coritiba Foot Ball Club preza pelos créditos merecidos, então nos avise sobre eles.

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